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Data - 4/3/2010
Fonte - "Folha de São Paulo"
Um aumento no PIB de 5% nunca seria considerado “sutil” por qualquer órgão de imprensa, menos ainda em uma chamada de primeira página. Entretanto, esse adjetivo foi usado para caracterizar o avanço dos estudantes da 4ª série da rede estadual paulista.
Esse foi precisamente o percentual de aumento no índice de proficiência dos alunos dessa série em 2009 em relação ao ano anterior, medido pelas provas de avaliação dos alunos (Saresp), em Língua Portuguesa e em Matemática. Além disso, a Secretaria de Educação calcula o Idesp, que combina os resultados do Saresp com a evolução dos indicadores de aprovação, repetência e evasão das escolas. No primeiro ciclo do ensino fundamental, o aumento do Idesp em um ano foi ainda mais expressivo: 18,4%. Melhora “sutil”?
Não quero minimizar os problemas da educação em nosso país ou no estado. Desde que fui secretário da Educação, no governo Montoro, depois reitor da Unicamp e ministro da Educação a partir de 1995, a luta por melhoria da qualidade de nossa escola pública tem sido minha obsessão. Não estamos satisfeitos com a qualidade de nossa Educação. Mas, por isso mesmo, devemos comemorar, em vez de negar de maneira sensacionalista o avanço alcançado em São Paulo.
É uma brutal infâmia afirmar que o Estado culpa professores por nota baixa dos alunos. A equipe que assumiu a Secretaria da Educação desde o início do atual governo considera que os professores são vítimas de um sistema de formação docente que privilegia o teórico e o ideológico em detrimento do conteúdo e da didática.
Para superar as lacunas na formação dos professores e não culpá-los por esta deficiência, a Secretaria, desde 2007, desenvolveu todas as ações voltadas para o apoio ao trabalho do professor em seu dia a dia, a fixação de metas e objetivos de melhoria da qualidade do ensino e o oferecimento de estímulos ao aperfeiçoamento dos professores, tudo isso tendo como base os conteúdos do currículo do Estado.
As primeiras ações, baseadas no currículo, se organizaram em torno de dois programas: o “Ler e Escrever” e o “São Paulo Faz Escola”. Os professores passaram a ser apoiados com materiais para eles e para os alunos. Até o presente, mais de 192 milhões de exemplares foram enviados às escolas. Esse conteúdo também serve de base para constantes cursos de aperfeiçoamento e atualização. Além disso, nas primeiras séries, alocamos professores auxiliares para ajudar nas tarefas do letramento.
Uma grande inovação foi o estabelecimento de metas concretas a serem alcançadas até 2010. E as metas anuais daí decorrentes têm sido superadas a cada ano. Seu mérito está em priorizar a aprendizagem dos alunos, buscando trazer para dentro das salas de aula os resultados do sistema de avaliação. Esse processo alimenta o sistema de “Bônus por Resultados”. Cada escola é comparada com ela mesma e quanto maior o seu avanço, melhor é o prêmio. Em 2009, 196 mil servidores entre professores e funcionários receberam o Bônus e metade deles ganhou 2 ou mais salários.
Dando continuidade às mudanças, passamos a fortalecer a carreira e estimular o aperfeiçoamento dos professores, a começar pela mudança do sistema de ingresso. Após a seleção em concurso público, o professor deverá ser aprovado em curso de 4 meses na Escola de Formação de Professores, recém criada. O primeiro concurso nas novas regras será no dia 28 de março e terá de 261 mil candidatos disputando as 10 mil vagas que são inicialmente oferecidas. Ademais, criamos um exame a que todos os professores temporários devem se submeter. A atribuição de aulas de 2010, pela primeira vez no Estado, já levou em conta os resultados dessa prova.
A carreira docente foi modificada para tornar-se mais atraente e valorizar o mérito do professor. O primeiro concurso de promoção, que haverá de aumentar em 25% os salários de 44 mil professores, já foi realizado com a participação de mais de 93 mil docentes.
Um benefício colateral, ainda não destacado, decorre da realização de provas para os professores. Entre o exame de temporários e o concurso de promoção, podemos assegurar que mais de 170 mil dos nossos 220 mil professores se submeteram a um exame nos últimos 3 meses. Estudaram e se prepararam para as provas.
Claro que sindicatos engajados em políticas eleitorais não gostam disso. Para os detratores e seus porta-vozes esta verdade parece insuportável: nossas crianças e adolescentes serão as grandes beneficiárias da renovação de conhecimentos, bem como de todas as medidas que visam a premiar o mérito e fortalecer nosso magistério.
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Paulo Renato (PSDB-SP) - Secretário da Educação do Estado de São Paulo e Deputado Federal licenciado. Foi Ministro da Educação no governo de Fernando Henrique, quando criou o ENEM, o Provão, o Fundef e o Bolsa-Escola. Defende a prioridade para o ensino básico, o crescimento econômico, a geração de empregos e a democracia. |
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