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Data - 21/10/2008
Discurso proferido na Sessão Solene em homenagem ao Centenário de nascimento do ex-presidente da República do Chile – Salvador Allende, em 21 de outubro de 2008
O Sr. PAULO RENATO SOUZA (PSDB–SP) pronuncia o seguinte discurso: Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, em nome da Liderança do PSDB, participo desta Sessão Solene, para homenagear o centenário de nascimento do ex-Presidente da República do Chile, Salvador Allende.
Trata-se de excelente oportunidade reverenciar a memória desse estadista, que perdeu a vida, lutando pelos seus ideais, bem como de lembrar o sacrifício de milhares de pessoas, cruelmente perseguidas, torturadas e mortas pela repressão que se seguiu ao golpe de estado no Chile, ocorrido em 11 de setembro de 1973. Salvador Allende nasceu em uma família atuante na vida pública chilena desde muito tempo. Seu pai, seu avô e seus tios haviam sido destacados militantes do Partido Radical, de tendência progressista. Seguindo a tradição familiar, ele destacou-se como líder estudantil e organizador o Partido Socialista, no início de sua carreira política. Formado em Medicina, ocupou as funções de Deputado, Senador e Ministro da Saúde, antes de eleger-se Presidente da República.
Exerceu a Presidência em um período especialmente difícil da história, não só da América Latina, mas de todo o mundo. Foi um período marcado pela polarização decorrente da Guerra Fria: os Estados Unidos de um lado e a então União Soviética de outro, ambos tentando impor seus respectivos modos de ver a política, a economia e a sociedade, ao maior número possível de países.
No âmbito dessa disputa ideológica entre as duas superpotências, é que deve ser entendida a experiência dos mil dias da Unidade Popular, aliança que dava sustentação a Allende. Infelizmente, essa experiência aconteceu em um clima de radicalização e confronto no interior da sociedade chilena da época e acabou resultando nos fatos que hoje tanto lamentamos.
Passados 35 anos, a utopia econômica e social proposta pela Unidade Popular parece fazer parte de uma história já distante. Entretanto, ainda está muito presente, entre nós, o sentimento de hospitalidade e solidariedade com que o Presidente Salvador Allende e o povo chileno receberam muitos de nossos compatriotas, obrigados a deixar o Brasil, por motivos políticos. Também jamais perderá atualidade o exemplo de grandeza, coerência e bravura desse homem, que, de arma na mão e cercado de poucos companheiros, resistiu até à morte, defendendo suas convicções e seu mandato, no Palácio de La Moneda bombardeado e em chamas.
Mesmo em contexto histórico totalmente diverso, como o atual, esse sentimento e esse exemplo devem acompanhar sempre os que acreditam no respeito à autodeterminação dos povos, na solução pacífica de conflitos, no diálogo franco com todos os membros da comunidade internacional, na busca de integração da América Latina, na defesa intransigente da dignidade humana e na recusa de qualquer tipo de extremismo. Na conjuntura em que vivemos, tais são os princípios capazes de nos orientar, na imensa tarefa de tornar realidade o sonho de promover o fortalecimento da democracia em nossa sofrida América Latina.
Essa reflexão é especialmente oportuna, quando percebemos o risco de as lições do passado serem deixadas de lado, pela ação de demagogos, que com suas idéias e métodos ultrapassados ameaçam solapar as instituições em diversos países do Continente. Mudam as Constituições a seu bel-prazer, desrespeitam o Judiciário e o Legislativo, ameaçam calar a imprensa e os opositores, incitam a xenofobia e o ódio social e racial.
Nada aprenderam e querem fazer retroagir a história. Felizmente, após os terríveis anos de chumbo do regime militar, o Chile atravessou um processo de redemocratização que é exemplo para a América Latina e o Mundo. Sua economia exibe números invejáveis e os anos de governo da “Concertación”, unindo principalmente antigos democrata-cristãos e socialistas trouxeram um avanço social e político notável ao país. Tenho a convicção de que muitos dos ideais de construção de uma sociedade mais justa e democrática que embalaram os sonhos do Presidente Allende estão sendo materializados no Chile dos nossos dias.
À memória do ex-Presidente e aos laços que nos unem ao povo chileno dedico esta homenagem do PSDB. Muito obrigado.
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Paulo Renato (PSDB-SP) - Secretário da Educação do Estado de São Paulo e Deputado Federal licenciado. Foi Ministro da Educação no governo de Fernando Henrique, quando criou o ENEM, o Provão, o Fundef e o Bolsa-Escola. Defende a prioridade para o ensino básico, o crescimento econômico, a geração de empregos e a democracia. |
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