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Data - 16/3/2007

Fonte - entrevista Uol

15/03/2007 - 21h17
Paulo Renato critica "promoção automática" de alunos e cobra mais avaliações

Veja a entrevista em vídeo

Da Redação

Crise na Educação. Nesta quinta-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que, em relação à Educação, o Brasil está "entre os piores do mundo". O comentário foi feito durante a apresentação do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), ao lado do ministro Fernando Haddad, para educadores de todo o país. Segundo o presidente Lula, o acesso à educação cresceu no país, porém o ensino continua com baixa qualidade.

Para o deputado federal e ex-ministro da Educação, Paulo Renato (PSDB-SP), a educação do Brasil é ruim, mas até 10, 12 anos atrás não havia nem esta consciência; foi a criação de um sistema de avaliação que revelou, além da má qualidade do ensino, a ausência de uma grande parcela das crianças brasileiras na escola.

"Nós colocamos as crianças na escola, ampliamos muito o ensino médio e, praticamente, fizemos no século 20 - com mais de 100 anos de atraso - o que outros países fizeram no século 19", disse em entrevista ao UOL News.

Segundo Paulo Renato, quando houve esta grande incorporação de alunos à escola, os índices de desempenho, que já eram ruins, tiveram mais uma pequena variação negativa; a melhoria veio em 2001 e continuou até 2003, mas em 2005 os índices voltaram a cair.

"Ou seja, o sistema é ruim e não está melhorando, isto é o grave. Os indicadores são muito negativos, em toda a educação brasileira, apenas 10% dos alunos estão num nível satisfatório em relação a sua série, os outros estão num nível intermediário ou sofrível."

O deputado federal disse que este sistema de avaliação criado permite identificar fatores associados ao mau desempenho dos alunos; a formação do professor está entre as questões mais importantes, já que 40% dos educadores do ensino básico não têm formação superior. "Este número e um pouco menor hoje porque quando assumi este índice era de 60%."

O deputado criticou os recursos disponibilizados para a escola e, neste ponto fez um "mea culpa" dizendo que pouco foi feito em relação à informatização dos colégios "em grande escala" durante o governo FHC. Outra questão importante citada por ele foi a gestão escolar.

"Os diretores de escola no país não focam nos resultados da aprendizagem do aluno; se eu fosse resumir, a nossa educação se estrutura em função do ensino e não da aprendizagem - este é o ponto principal. Quando colocarmos a aprendizagem do aluno como o grande objetivo da educação brasileira, quando começarmos a mudar o funcionamento da escola, não tenho dúvida de que os indicadores de desempenho vão aumentar."

Mas Paulo Renato avisa que o desafio é grande, já que não basta apenas colocar mais recursos no setor. Segundo ele, mais dinheiro não significa que a educação vá melhorar; é preciso fazer diferente, mudar o foco.

Governo PSDB

Paulo Renato falou ainda sobre a questão da progressão continuada - método da não repetência bastante utilizado pelos governos do PT - em São Paulo e Rio Grande do Sul - e pelo PSDB em São Paulo.

"O problema é que em todas as experiências brasileiras, comandadas pelo PT ou pelo PSDB, não se implementou o que realmente deveria ser a progressão continuada. Fez-se a promoção automática, enquanto este deve ser um sistema de organização da escola em função da aprendizagem do aluno. É preciso haver mais avaliações e nós eliminamos a avaliação no Brasil; nossos sistemas de ensino eliminaram a avaliação, não há mais provas e os alunos não são avaliados", analisou.

Especificamente no caso do Estado de São Paulo, o deputado afirmou que, apesar do PSDB ter estado no governo nos últimos 12 anos, as políticas educacionais alternaram.

"Não quero entrar em detalhes, mas as políticas variaram ao longo deste período e os educadores sabem disso. No entanto o problema não me parece tanto a questão da continuidade das políticas educacionais, isto é importante sim, mas é preciso dar continuidade ao que é de fato relevante e eu acho que no Brasil não tivemos nenhuma experiência que tenha colocado como ênfase a aprendizagem do aluno."

PED

Paulo Renato disse ainda que a educação no Brasil se tornou prioridade nos últimos 15 anos e está melhor do que já foi. Ele ressaltou os feitos significativos durante o governo FHC, apontou os altos e baixos do governo Lula - como as mudanças de prioridades com os diferentes ministros - e acredita que agora a Educação pode estar no caminho certo.

"Acho que agora o ministro Fernando Haddad está encontrando novamente o rumo, ao anunciar o plano de hoje com ênfase no ensino básico. Precisamos ir mais, precisamos buscar resultados."

O deputado Paulo Renato afirmou que não foi consultado sobre a elaboração do PED; ele foi convidado para a cerimônia de hoje em Brasília, mas não pôde comparecer.

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Paulo Renato (PSDB-SP) - Secretário da Educação do Estado de São Paulo e Deputado Federal licenciado. Foi Ministro da Educação no governo de Fernando Henrique, quando criou o ENEM, o Provão, o Fundef e o Bolsa-Escola. Defende a prioridade para o ensino básico, o crescimento econômico, a geração de empregos e a democracia.
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