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Recursos da Educação caem para 3,8% do PIB
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Data - 22/3/2007

Fonte - O Globo

O Globo
22/03/2007
Economia
Recursos da educação caem para 3,8% do PIB
Com novo cálculo do IBGE, percentual destinado ao ensino fica mais longe dos 6% recomendados pela Unesco

Martha Beck

BRASÍLIA. A revisão da metodologia de cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) pelo IBGE deixou o Brasil ainda mais distante de atingir um nível de investimentos considerado ideal tanto na educação quanto na saúde. Os dados do governo até agora mostravam, por exemplo, que o país aplicava 4,3% do PIB em educação, mas, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), esse percentual caiu para 3,8% - ainda mais distante dos 6% que a Unesco considera adequados para os países em desenvolvimento.
- O Brasil ainda tem muito o que avançar na área de educação, especialmente nos ensinos fundamental e médio - afirmou o ex-ministro da Educação e deputado Paulo Renato Souza (PSDB-SP).
Ele lembrou que, segundo dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil tem um gasto per capita de US$ 13 mil para o ensino superior, sendo que para o ensino médio esse valor cai para US$ 1.100 e, para o fundamental, US$ 900. Segundo Paulo Renato, nenhum país da OCDE tem tanta discrepância nos diferentes níveis de ensino.
Ainda segundo os dados da OCDE, a média de investimento em educação de seus países membros é de 5,5% do PIB. No México, por exemplo, esse percentual chega a 5,8%, enquanto na Austrália, ele é de 4,8% do PIB.
Na Saúde, segundo dados do Conselho Nacional de Saúde (CNS), os gastos do governo também ficaram menores com o novo PIB. Com isso, o déficit de investimentos desta área, entre 2000 e 2006, passou de R$ 5 bilhões para R$ 9,9 bilhões.
De acordo com o presidente do CNS, Francisco Batista Jr., em 2006, por exemplo, os gastos do governo com saúde foram de 1,98% do PIB, sendo que esse número caiu para 1,77% do PIB com a revisão. Em 2005, esse valor baixou de 1,92% para 1,73%.
Batista Jr. destacou que, em 2007, os investimentos devem ficar ainda menores devido a um contingenciamento feito no início deste ano. Com isso, os gastos do governo com saúde, que deveriam ser de R$ 43,5 bilhões, devem ficar em torno de R$ 39,9 bilhões.
- Isso é um retrocesso muito grande para esta área no país. O contingenciamento joga por terra todo o esforço feito para melhorar a saúde no país - disse ele.
"Há muito o que avançar, especialmente no ensino médio e no fundamental" PAULO RENATO SOUZA Ex-ministro da Educação e deputado
"Isso é um retrocesso muito grande para a saúde no país" FRANCISCO BATISTA JR Presidente do CNS.

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Paulo Renato (PSDB-SP) - Secretário da Educação do Estado de São Paulo e Deputado Federal licenciado. Foi Ministro da Educação no governo de Fernando Henrique, quando criou o ENEM, o Provão, o Fundef e o Bolsa-Escola. Defende a prioridade para o ensino básico, o crescimento econômico, a geração de empregos e a democracia.
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