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Estatismo e autoritarismo |
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Data - 4/3/2010
Fonte -
Ao analisar os resultados do 4º congresso do Partido dos Trabalhadores no qual foi lançada a candidatura da ministra Dilma, o deputado licenciado (e secretário da Educação) Paulo Renato afirmou que o PT adotou a estratégia da ambiguidade para acobertar o seu objetivo último: “a implantação, no Brasil, de um regime pautado em um estado centralizador do ponto de vista econômico e atrofiador das liberdades públicas, do ponto de vista político”.
Segundo o ex-ministro da Educação, esta ambiguidade se manifestou na aparente contradição entre a entrevista de Lula ao jornal O Estado de São Paulo, “na qual o presidente foi um poço de moderação, e a aprovação de pontos programáticos da candidatura Dilma, que representam” um giro à esquerda e um retorno aos tempos em que o PT pregava a “ ruptura necessária.” Para Paulo Renato, esta contradição é só aparente e há uma sintonia entre o discurso moderado (“ adotado também pela candidata ao se comprometer com o tripé da estabilidade econômica), e as diretrizes esquerdistas aprovadas por unanimidade pelo congresso petista.
Para exemplificar o que significa a estratégia da ambiguidade, Paulo Renato se utilizou de uma linguagem militar: “ o objetivo estratégico está contido no “ Estado Forte” pregado pelos discursos de Lula e Dilma, bem como na plataforma esquerdista. Já a tática está expressa na entrevista de Lula ao “Estadão” e tem como objetivo imediato acalmar o mercado e partidos conservadores que orbitam na base governista, além de tentar atrair amplos setores da sociedade refratários à radicalização petista.”
Ou seja, “o discurso moderado é o ponto de partida da candidatura, mas não expressa o programa máximo do Partido dos Trabalhadores, que em algum momento o lulo-petismo pretende implementar. Ou agora, ou pós a eleição caso seja vitorioso e tenha forças para tal.” De acordo com a sua avaliação, Não há a mais leve divergência entre o presidente, a candidata e o conjunto partidário, quanto ao que eles entendem por “fortalecimento do papel do Estado”. Este “Estado Forte” não se resume à “valorização dos servidores” e a outras platitudes ditas pela candidata.”
No seu entendimento, é possível perceber até onde chegará o Estado forte preconizado pelos petistas, através de uma frase do discurso de Lula: “as pessoas que privatizaram este país estão incomodadas porque queremos fortalecer certos setores da economia brasileira. Vão dizer que a Dilma vai ser estatizante. Mas isso não é ruim não. É bom.” Lula tentou se corrigir, mas a emenda foi pior do que o soneto: “É claro que você não vai querer estatizar borracharia, bar, cervejaria, mas aquilo que for estratégico para o país e não estiver funcionando, a gente não tem medo de tomar decisões.”
Para Paulo Renato, esta afirmação é a prova de que empresas privatizadas e que trouxeram benefícios para o país podem ser reestatizadas ou novas empresas estatais podem ser criadas, caso Dilma vença as eleições e ache que tais medidas são “estratégicas.” O parlamentar chamou ainda a atenção para o fato de não existir uma só palavra de discordância do presidente ou da candidata em relação ao programa esquerdista aprovado pelo Congresso. E concluiu:
“Não há um fosso entre a toada do presidente e o radicalismo do conjunto partidário, assim como inexistem dois PTs distintos. O “Lula moderado” e o PT do “giro à esquerda” são duas faces do mesmo modelo estatizante e autoritário, hoje acobertado pela estratégia da ambiguidade.”
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Paulo Renato (PSDB-SP) - Secretário da Educação do Estado de São Paulo e Deputado Federal licenciado. Foi Ministro da Educação no governo de Fernando Henrique, quando criou o ENEM, o Provão, o Fundef e o Bolsa-Escola. Defende a prioridade para o ensino básico, o crescimento econômico, a geração de empregos e a democracia. |
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